SAÚDE EM DESTAQUE | ESPÍRITO SANTO ES realiza primeiras cirurgias robóticas de joelho em pacientes com mais de 80 anos

Procedimentos inéditos no Estado foram realizados em dois idosos, de 83 e 85 anos, no Hospital Vitória Apart Serra, na Serra. Tecnologia auxilia os médicos no planejamento e na precisão da colocação de próteses.


Por Charles Manga | Jornal Ativa ES
O Espírito Santo avança na incorporação de novas tecnologias à medicina. Dois homens, de 83 e 85 anos, foram os primeiros pacientes do Estado a passar por cirurgias robóticas para colocação de próteses totais de joelho. Os procedimentos foram realizados no sábado (17), no Hospital Vitória Apart Serra, localizado no município da Serra, e representam um marco para a ortopedia capixaba.
As intervenções tiveram como objetivo tratar a artrose, doença caracterizada pelo desgaste da cartilagem das articulações, que pode provocar dores persistentes, rigidez e dificuldades para caminhar e realizar atividades cotidianas.
A utilização de tecnologia robótica em pacientes acima dos 80 anos também chama a atenção para a importância da avaliação individualizada na medicina. A idade, isoladamente, não determina a possibilidade de realização de uma cirurgia: a indicação depende das condições clínicas, da avaliação da equipe médica e das necessidades de cada paciente.
Tecnologia auxilia na precisão dos procedimentos
As cirurgias utilizaram o sistema robótico CORI, equipamento desenvolvido para auxiliar o cirurgião no planejamento e na execução de procedimentos de substituição articular do joelho.
A tecnologia permite analisar características anatômicas e deformidades da articulação, contribuindo para que o posicionamento da prótese seja planejado de acordo com as particularidades de cada paciente.
Segundo o ortopedista Cid Moura Jr., especialista em doenças do joelho e coordenador do Grupo de Estudos do Joelho do Espírito Santo, o equipamento utiliza câmeras e sensores para acompanhar a posição e os movimentos da articulação durante a operação.
“O robô tem duas câmeras que funcionam como um GPS. Sensores são posicionados no joelho do paciente, e o sistema acompanha a posição e os movimentos da articulação”, explica o médico.
O acompanhamento permite ao cirurgião trabalhar com informações específicas da anatomia do paciente durante o procedimento. Isso é particularmente relevante nos casos de artrose, em que o desgaste e as deformidades podem variar significativamente de uma pessoa para outra.
É importante destacar que a tecnologia funciona como uma ferramenta de assistência ao cirurgião. A avaliação clínica, as decisões médicas e a condução da operação continuam sob responsabilidade da equipe especializada.
Procedimentos foram considerados bem-sucedidos
De acordo com as informações divulgadas pelo hospital, as duas cirurgias foram consideradas bem-sucedidas. A previsão inicial era de que os pacientes recebessem alta hospitalar na segunda-feira (19).
A recuperação após a colocação de uma prótese de joelho depende de diferentes fatores, entre eles as condições de saúde anteriores à cirurgia, o controle da dor e a reabilitação. Em pacientes idosos, o acompanhamento individualizado e a fisioterapia são aspectos importantes do processo de recuperação.
Embora os resultados iniciais tenham sido positivos, o acompanhamento posterior é necessário para avaliar a evolução clínica, a recuperação funcional e os benefícios do procedimento ao longo do tempo.
Hospital investe em capacitação das equipes
A incorporação da tecnologia também exigiu preparação dos profissionais envolvidos nas operações. Na sexta-feira (16), véspera das cirurgias, o hospital promoveu um treinamento destinado a profissionais de enfermagem e outros integrantes das equipes assistenciais. A capacitação abordou o funcionamento do equipamento, os procedimentos de esterilização e a integração da tecnologia à rotina hospitalar.
A preparação dos profissionais é uma etapa fundamental para a utilização segura de equipamentos avançados, considerando que a assistência cirúrgica envolve não apenas o trabalho do médico, mas também a atuação coordenada de diferentes áreas do hospital. Para o diretor médico da instituição, Rafael Brum, a chegada da cirurgia robótica de joelho ao Espírito Santo amplia as possibilidades de tratamentos especializados e representa um investimento em tecnologia e segurança do paciente.
Avanço da ortopedia capixaba
A realização dos primeiros procedimentos robóticos de joelho em pacientes com mais de 80 anos marca um novo capítulo para a ortopedia no Espírito Santo e evidencia a ampliação dos recursos tecnológicos disponíveis no atendimento especializado.
Mais do que a utilização de um equipamento moderno, a cirurgia robótica destaca a tendência de personalização dos tratamentos, com planejamento adaptado às características de cada paciente. O avanço, entretanto, deve ser acompanhado de avaliação criteriosa, capacitação profissional e monitoramento dos resultados clínicos. A tecnologia pode oferecer recursos adicionais à equipe médica, mas a indicação cirúrgica e a segurança dependem de uma abordagem individualizada.

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